terça-feira, 25 de março de 2014
Memória!
Memória (Du Gomide)
O que há por trás do olhar daquela que, ao me lembrar, fecho os olhos com saudade?
Será que é um livro aberto, ou será um deserto sedento por tempestade?
O que se passa por dentro? será raro monumento, ou simples pluralidade?
Por fora eu tenho certeza! ela é toda beleza que existe em uma verdade
E o que eu sinto por ela talvez eu não merecesse
E se ela soubesse não iria acreditar
Por isso eu fecho os meus olhos
E guardo em minha memória momento que não voltar
Por conta de um sentimento parecido com um lamento
Insisto nessa história
Desejo profundamente que o amor reconheça a gente
E deixe de ser memória
quinta-feira, 20 de março de 2014
e então chegou o outono. seja bem vindo
em tempo... chegou o outono. chegou manso e bonito. como raramente chega...sempre tão avassalador e triste. sempre triste. dessa vez não, chegou leve, alegre, cheio de vida. entre fornadas de pão, varreduras no quintal, flores de painas, sopas de aveia, dourados na arvore, nascer do sol da janela da cozinha, cama cheia de gatos e a mulher de corpo quente, bem quente. bem vindo outono, se achegue assim... manso, lindo, leve e cheiroso. quero te amar.
domingo, 9 de março de 2014
com que roupa?
como uma roupa que não lhe serve, algumas situações não lhe cabem mais.
não satisfazem expectativas, não falam do seu desejo.
fui e vi! não, não é o que quero.
tentei, me adaptei, experientei, não sou afim... não quero.
não, nada que me impeça de caminhar, que me cerceie,
que impeça minha caminhada ou me atrapalhe os passos, que me angustie. não mais.
não me prenda os pés. quero caminhar. embrionário e quase claustrofóbico.
moinho girando... moenda moendo. preciso me vestir de mim, rasgar, soltar, caber, dar o passo largo... sem cair.
preciso de brilho, olhos, vermelho. reflexo na vida. e olha, o que achamos que não rompe por vezes está por um fio.
figurino 18/2
quinta-feira, 6 de março de 2014
a saúde adverte: Beto Barbosa faz bem e faz mal... às vezes mais mal que bem. parei! parei geral...
Porque passei meses fugindo, fugindo. sem querer resolver coisas que me assustavam e me deixavam em fragilidade. passou o carnaval, a sessão casa com goteiras, a páscoa, o aniversário, o dia das mães, o divino, o são joão, o dia dos pais, o aniversário de gente importante, o feriado da independencia, as reuniões, o natal, o ano novo, o dia de são sebastião (20 de janeiro), o pré-carnaval, novamente chegamos ao carnaval... aí era tanto... imagina quanta coisa entalada na garganta, entupindo as artérias, corroendo as vísceras. na verdade já andava saindo por baixo. a diarreia sempre foi meu escape. cagar os problemas... mas aí, começou a bebedeira. administrava a ressaca e o porre. céus, que horror. dia 29 do último mês não resisti... tava alegre, apesar do texto e da interpretação dos atores da peça do Veronese (filhos da puta, bons pra caralho, bertazzo e greice) ...fiz um brinde à Beto Barbosa e muitas cervejas e umas boas doses de wisky. estava entre amigos. acompanhada. ri, conversei, senti, evitei, fui fundo, me fiz de louca... já ando fazendo isso há um tempo. normal, normal, normal! então vomitei. classicamente, ajoelhada no altar de todos os bebados, a privada. e orava: "espero aqui estar vomitando todas as minhas tristezas". desejei isso mesmo. e quanto mais pensava nisso desejava cuspir todos os sapos. foram litros de vomito e cada vez que lembrava do carnaval, da goteira na cama, da páscoa, do aniversário, dia das mães, do divino, são joão, dia dos pais e todas aquelas coisas ali em cima vomitava com força e ia liberando. nesse momento administro um fim de ressaca, com joelhos esfolados e pernas roxas de uma tola queda... não era bebedeira, era euforia e falta de cuidado. tropecei no degrau. dois joelhos ao chão. dobre-se. na frente da criança e agradeça, porque aprender por experiencia é bom e escolher o que quer e onde vai e com quem é maravilhoso. brindo esse momento. mas tomo água. já passou.
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